sábado, 6 de agosto de 2011

HISTORIA DE TOME- AÇU

Os primeiros habitantes da região do Rio Acará-Mirim foram identificados como Tembé, cujas tribos cultivavam uma agricultura de subsistência. Faziam parte da nação Tenetehara, que em tupi guarani significa: “nós somos gente verdadeira”, os quais partilhavam com os índios Guajará do Estado do Maranhão a mesma língua e tradição culturais.

O primeiro homem branco que ocupou o território de Tomé-Açu foi o português José Maria de Carvalho, que também foi o primeiro comerciante de madeira na foz do Igarapé Tomé-Açu, sendo atualmente Fazenda Tomé-Açu. Logo após o comércio madeireiro chegou o Sr. Agapito Joaquim de Cristo, que adquiriu, por aforamento, o terreno onde hoje está localizada a cidade de Tomé-Açu, que naquela época foi denominada de Fazenda Bela Vista.

A chegada dos primeiros colonos japoneses
Segundo Violeta Loureiro, na sua construção da História Social e Econômica da Amazônia, refere-se que, no ano de 1926, se dirigiu ao Pará um grupo de cientistas japoneses que tinham como missão localizar áreas nas quais pudessem ser instaladas colônias agrícolas e, a partir delas, dinamizar a economia através do desenvolvimento de culturas, assim como de práticas modernas de cultivo.

O resultado do trabalho levou à identificação de áreas no Estado do Amazonas (em Manacapuru) e no Estado do Pará (Baixo Amazonas, Santarém e Tomé-Açu).

Com a implantação da Companhia Nipônica de Plantação do Brasil em 1929, a Fazenda Bela foi vendida à Companhia Nipônica, que instalou na Fazenda Bela Vista a Administração Central da Companhia, quando chegaram os primeiros colonos japoneses (42 famílias, num total de 189 pessoas) as mesmas que, amparadas por certo volume de capital, assim como por uma tradição milenar na agricultura, ficaram instaladas no lugar.

No início as famílias plantavam arroz e hortaliças, aonde encontraram o desafio de escoar a produção.

No ano de 1933 houve uma fatalidade, de forma a ter reflexos na comunidade japonesa de Tomé-Açu, após a morte de uma imigrante a caminho do Brasil o navio com imigrantes japoneses teve de aportar em Cingapura, o chefe da embarcação comprou 20 mudas de pimenta-do-reino, que viria a ser chamado de "diamante negro" da Amazônia. Através dos imigrantes japoneses Tomé-Açu tornou-se então o maior produtor mundial de pimenta-do-reino, onde cinco mil toneladas eram colhidas por ano, após a Segunda Guerra Mundial. Mesmo após a decadência da pimenta-do-reino, hoje, Tomé-açu contínua sendo a maior produtora brasileira da especiaria.

Mesmo suas plantações sendo atacadas pela fusariose, os japoneses não desitiram da pimenta-do-reino, combateram a doença, mas isso abriu oportunidades para os imigrantes japoneses começarem o cultivo de outras culturas tropicais, como a açaí, também chamado de "diamante negro", onde o Pará se destaca como principal produtor da fruta. O crescimento das exportações do açaí foi de tal forma que chegou a despertar atenção de grandes jornais como o francês “Le Monde” e o norte-americano “The New York Times”.

Através dos japoneses a região também se tranformou na maio produtora brasileira de acerola do Brasil. Sendo na região do Nordeste Paraense a principal refêrencia.

Também pela decadência da pimenta-do-reino por causa da fusariose na década de 70 os imigrantes japoneses começaram a plantar cacau, que ganhou destaque e fez de Tomé-Açu o 6º maior produtor do estado. Sendo que quase 100% de todo o cacau produzido em Tomé-Açu segue o Sistema Agroflorestal, o SAF, tornando Tomé-Açu referência internacional em agricultura sustentável.

Desde 2008 os agricultores nikkeis de Tomé-Açu produzem o cacau fino de qualidade tão alta quanto ao produzido na Venezuela.

Terra da pimenta e a origem do nome
Tomeaçuense é o designativo daquele que nasce no município de Tomé-Açu. Os primitivos de Tomé-Açu contam que nas proximidades existia um índio Tuxaua, da raça Tapuia, da tribo Tembé, que se chamava Tomé, e que era um homenzarrão, o qual na linguagem indígena grande significa Açu, então popularmente o chamavam de Tomé-Açu. Esse nome passou para o maior igarapé da cidade, que até hoje se chama Igarapé Tomé-Açu e, posteriormente passou a ser o nome do município.

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